Sim, eu sei que prometi só publicar amanhã, mas não aguentava mais olhar para o computador e não escrever nada hoje. A vida dá voltas, muitas voltas, as pessoas que dizem amar-nos são quem mais nos magoa. Sim, agora posso afirmar, amar é uma arte e decepcionar faz parte. Depois de um pouco mais de 7 meses, quem dizia amar-me desde que tinha 5 anos me abandonou, sim, eu e a Bryanna acabamos. Não sei que doeu mais, se o facto dela ter acabado comigo, ou o facto de o ter feito naquele dia. Naquele dia?- perguntam vocês- sim naquele dia... Nunca mais me esquecerei, dia 18/7/2011, seis anos e três dias da morte do meu pai, sete meses após a morte da minha avó, onze dias após meu 19º aniversário. A Minha Mãe, aquela pessoa que eu desde o inicio que comecei a contar a minha história disse que não queria ver mais, bem ela faleceu.
Apesar de eu dizer tudo aquilo que dizia, ela era minha mãe, e mãe só há uma, é verdade que ela mais parecia um monstro mas era a MINHA MÃE, foi pelos erros e atitudes dela que eu acabei crescendo e me transformando no homem que sou hoje, ou melhor no rato...
Ironia do destino, coincidência ou não, a história toda se repetiu, de novo, parecia que eu estava a ter um déjà vu, que eu já tinha visto aquilo, e realmente já tinha visto mas não sendo a minha mãe e eu as personagens principais, mas sim eu e o meu pai. O que quero eu dizer com isto? Bem eu explico, meus irmão foram passear com os meus sobrinhos, enquanto eu, vim para casa, e... bem quando cheguei eu olhei para o fundo da sala e minha mãe estava lá deitada, sai correndo até ela, olhei e vi seus olhos azuis olhando para os meus, peguei-a nos braços, e ouvi suas últimas palavras, ao mesmo tempo que cada osso seu se quebrava, se estalava, se partia. "Ricardo, em cima da mesa está um envelope, é para ti", nisto apareceram os meus irmão, "Amo-vos meus filhos", e nos meus braços perdeu a vida.
Meu irmão agarrou nas filhas e nos sobrinhos e saiu para que eles não se apercebessem do que se tinha passado, minha irmã ficou la imóvel, chorando e olhando para mim e para a nossa mãe. E eu? Eu fiquei incrédulo, completamente em choque, não era possível ter acontecido outra vez, minha mãe morrer no mesmo sitio em que o meu pai morreu? Terem morrido os dois nos meus braços? Ter sido para mim as últimas palavras deles? Não, eu não podia estar acordado, aquilo não podia ser verdade, a serio que não podia.
O corpo foi levado, meus irmão foram levar as crianças a casa de uma amiga. Eu fiquei algum tempo ali na sala, associando o que tinha acontecido agora, e o que tinha acontecido à seis anos, tudo me parecia igual, só ninguém tinha sido algemado a seguir. Peguei o envelope, e subi para o meu quarto. Pousei o envelope em cima da cama, olhei-me no espelho, e comecei a dar chapadas a mim próprio, eu precisava acordar daquele pesadelo, não podia ser real, mas de nada adiantou, eu já estava acordado, ou melhor eu nunca tive a dormir, tudo aquilo era real. Olhei para o lado, vi o envelope, peguei nele, deitei-me na cama, respirei fundo e comecei a ler a carta.
"Ricardo, podes achar estranho como é que tens um envelope, como é que eu sabia que ia morrer, porque que os teus irmãos não tem carta nenhuma. A verdade, é que foi a ti que eu mais destrui a vida, foste o que sofreste mais, o que mudaste mais, e o único que eu não consigo olhar sem me lembrar do que fiz no passado. Quando olho nos teus olhos, eu me lembro de todo aquele dia, de tua reacção e sei que te lembras do mesmo quando olhas para mim. Por isso, por esse sentimento de mágoa que transportamos, de rancor, entre nós, eu não aguento mais, eu vou-me embora, não para outra cidade, nem país, mas sim para outro mundo. Vou deixar que sejas feliz, que deixes de olhar para mim. Apenas te peço três coisas, primeiro desculpa-me por tudo, segunda pede desculpas aos teus irmãos por mim e terceira cuida de vocês para mim. Vocês são tudo o que eu tenho, tudo o que eu amo, nunca se esqueçam disso, eu apenas não tenho a vossa força e não aguento saber que vos fiz sofrer tanto. Adeus, até um dia meu pequeno!"
As lágrimas começaram a escorrer, foi por mim que ela se suicidou? Foi por sempre que olha para mim se lembrar da minha reacção? Por saber que eu ainda sinto alguma dor quando a vejo? Foi por mim? A culpa foi minha? Fui de novo olhar-me no espelho, ver se os meus olhos me respondiam a todas as minhas perguntas mas não, não responderam. Dei um murro no espelho, parti-o, olhei para o meu braço e este sangrava imenso, sai correndo para parar o sangue, consegui fazê-lo. Voltei ao quarto, escondi o envelope, troquei de roupa, fui ter com a minha namorada.
Cheguei na casa dela, o pai disse-me para entrar, subi até ao quarto dela sem dizer uma única palavra, entrei no quarto, ela perguntou-me o que tinha, eu contei tudo, e então ela diz-me "Ricardo, eu também tenho uma coisa para te dizer, não leves a mal, mas eu estou interessada noutro rapaz, lá da cidade de Abrantes, por isso, a nossa história acaba aqui!". Fiquei parvo, mais um déjà vu, a Natasha (minha namorada em 2005) tinha acabado comigo com uma justificação parecida e no dia da morte do meu pai. É como se o que vivi no passado me tivesse a passar de novo na vida, mas comigo com mais idade.
Fui passear... fui andando, andando a noite toda, sozinho, pensando em tudo, de cabeça baixa, sem comer nada e continuando a andar sozinho a noite toda. Recebi uma sms a dizer a hora do funeral, e de manhã lá fui eu ao funeral. Minha irmã, vizinhos, amigos da minha mãe todos a chorar, e eu olhava para um lado, olhava para o outro, olhava para o relógio à espera que a Bryanna aparecesse, mas ai chega toda a família dela excepto ela, eu perguntei por ela e o pai me respondeu: "Ficou na Internet a espera para falar com um rapaz, não quis vir", calculei que fosse o rapaz de quem ela me falou, fiquei desapontado, desiludido, não esperava que ela tivesse uma atitude daquelas, uma atitude tão fria.
Acabado o funeral, lá fui eu de novo, andando pelas ruas sozinho, e... pois, essa é a parte surpreendente, toda a historia se repetiu mesmo, eu desisti de viver de novo, mais uma vez eu baixei meus braços, sei que não devia dizê-lo mas é a verdade eu voltei a consumir...
A historia comigo toda ela se repetiu, com a minha irmã também, o marido dela pedi-lhe o divorcio, e o meu irmão voltou a namorar com a rapariga que sempre namorou desde a morte do nosso pai... Agora pergunto, ironia do destino ou coincidência?